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Por que o design atemporal protege seu patrimônio

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Seguir tendências de decoração pode custar caro na hora da revenda. Entenda por que o design de interiores de luxo deveria ser tratado como decisão financeira, não estética

Comprar um imóvel de alto padrão é, antes de tudo, uma decisão financeira. A decoração que vem depois também deveria ser. Muitos compradores erram exatamente aí: confundem o que é bonito hoje com o que vai proteger o valor do imóvel daqui a dez anos. E esse erro tem preço.

O que as tendências fazem com o valor de um imóvel

Tendências de decoração têm ciclo de vida curto. O que domina as revistas de design em um ano costuma parecer datado. Para imóveis que passam por revenda, essa datação tem um custo concreto: o comprador enxerga reforma onde poderia enxergar entrada imediata.

Andria Tagliari, arquiteta e designer de interiores especializada em residências de luxo, com mais de 20 anos de experiência e atuação em Orlando, Miami e Sarasota, e membro da International Interior Design Association (IIDA), coloca a questão em termos diretos: “Cada projeto de alto padrão tem uma camada que vai além da estética. Estamos lidando com ativos que têm história, escala e presença cultural. O trabalho do designer é ler esse contexto e traduzi-lo em um espaço que faça sentido para quem vai viver ali hoje, sem apagar o que o imóvel representa”.

Esse raciocínio vale especialmente para as vacation homes e propriedades de luxo nesses mercados, nos quais o comprador muitas vezes é um investidor, não apenas um morador. A decisão de compra passa por números, não por nostalgia.

O que define um projeto de interiores atemporal

Design de interiores atemporal é aquele projetado com identidade tão bem construída que não depende de tendências para funcionar, e cujos materiais e proporções permanecem coerentes independentemente do momento do mercado.

A diferença aparece nas escolhas. Mármore Calacatta em vez de porcelanato com efeito industrial da moda. Iluminação que trabalha com a luz natural do ambiente, não contra ela. Um projeto que, visitado em 2035, não vai obrigar o próximo comprador a fazer o desconto mental de “quanto custaria refazer isso”.

A designer aponta onde essa diferença começa: na intenção por trás de cada escolha. “O que me motiva a atuar em residências como a de IsleWorth é exatamente essa parte: ler o que o imóvel representa e fazer escolhas que façam sentido para quem vai viver ali hoje, sem comprometer o que ele pode representar amanhã”.

Decorar com tendência é um passivo, não um ativo

Tratar a decoração como custo de moradia é o engano mais recorrente em imóveis de alto padrão. Um projeto mal calibrado, apostando pesado em estética passageira, cobra o preço na revenda: análise da Zillow mostra que imóveis que exigem intervenção vendem em média 7,3% abaixo de casas similares, enquanto os atualizados capturam prêmio, o maior gap dos últimos três anos. No segmento prime, o efeito se amplifica: a Knight Frank aponta que o comprador afluente se recusa a absorver risco de reforma, e imóveis turnkey são os que transacionam rápido. Esse desconto não aparece na proposta de reforma. Aparece na oferta inicial.

Projetos que equilibram personalidade com permanência atraem compradores mais qualificados, com menos objeções e negociações mais curtas. O comprador de alto padrão quer entrar, não reformar.

Por que o mobiliário também importa na equação patrimonial

Peças de design autoral comunicam curadoria antes de qualquer conversa sobre preço. O comprador que entra em um imóvel e encontra mobiliário com origem e autoria documentadas faz uma leitura imediata: esse ativo foi tratado com critério. Esse julgamento é anterior à planilha de avaliação.

A Tagliari Signature, boutique de curadoria de mobiliário brasileiro para o mercado norte-americano fundada por Andria Tagliari, opera exatamente nessa lógica. Peças produzidas com madeiras nobres e artesanato de precisão chegam a residências de luxo na Flórida como elementos de diferenciação, não de decoração. A origem brasileira, longe de ser um detalhe, passou a ser argumento de venda em condomínios onde o cliente já tem tudo e busca o que é difícil de replicar.

Design de interiores de luxo como decisão de investimento: por onde começar

Antes de assinar qualquer proposta de projeto, um investidor deveria fazer uma única pergunta: o comprador que entrar neste imóvel daqui a dez anos vai ver valor ou vai ver reforma? Se a resposta for incerta, o briefing precisa mudar.

Design não é acabamento. É parte da estratégia patrimonial. A decoração que vai pedir troca em cinco anos tem um custo que não aparece na nota fiscal, mas surge no preço de saída.

Membro da International Interior Design Association (IIDA) e autora do livro “Poder feminino nos negócios: estratégias de sucesso para mulheres empreendedoras”, Tagliari acumula mais de duas décadas projetando residências que precisam funcionar como ativos, não apenas como lares.

O bom design não segue tendências. Ele as sobrevive.

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